O ambiente que nos move: Nova Zelândia, China e Instituto Caldeira
Título original na news: “O ambiente que nos move”
Ambiente talvez seja uma pauta batida. Todo mundo já ouviu que somos influenciados pelas pessoas e pelos lugares ao nosso redor. Mas será que entendemos, na prática, o tamanho dessa influência?
Refletindo sobre algumas decisões dos últimos tempos, percebi que muitas delas nasceram da mesma inquietação: a necessidade de me colocar em movimento e buscar ambientes capazes de ampliar minha régua. Essa reflexão me levou por três caminhos que, embora diferentes, estão conectados: o intercâmbio na Nova Zelândia, a imersão na China e a aproximação com o Instituto Caldeira.
A decisão de sair do Brasil por um período não foi apenas para aperfeiçoar o inglês ou conhecer outro país. Foi uma escolha consciente de movimento. Mudar de cidade, rotina, idioma e referências cria desconforto, mas também obriga a mente a sair do automático. Quando tudo ao redor muda, a gente volta a prestar atenção, questiona certezas e percebe hábitos que antes pareciam naturais.
O movimento tem esse poder. Ele não entrega respostas prontas, mas cria perguntas melhores.
A decisão de ir para a China também nasceu dessa inquietação. Existe, claro, o interesse profissional de entender fornecedores, produtos, tecnologia, varejo, indústria e novas oportunidades de negócio. Mas existe outro ponto tão importante quanto: circular por ambientes onde as coisas acontecem em uma velocidade diferente.
A própria China ajuda a entender esse movimento porque grande parte do seu desenvolvimento acontece por meio de clusters. Essa proximidade acelera o aprendizado. O conhecimento circula, mistura-se e retorna ao mercado na forma de produto, eficiência ou oportunidade.
No esporte, essa influência fica ainda mais evidente. Quem treina sempre sozinho corre o risco de criar uma percepção limitada sobre o próprio desempenho. Quando começa a treinar com pessoas melhores, passa a enxergar outros ritmos, métodos, níveis de disciplina e formas de lidar com o desconforto. Não se trata apenas de acompanhar quem está na frente, mas de descobrir uma régua que você ainda não conhecia.
Nos negócios, a lógica é parecida. Se uma empresa conversa sempre com as mesmas pessoas, frequenta os mesmos lugares e busca referências apenas dentro do próprio setor, pode até continuar operando bem, mas tende a repetir as mesmas respostas. E, em um mercado que muda rapidamente, continuar respondendo da mesma forma pode ser mais perigoso do que admitir que ainda não sabemos.
É nesse ponto que o Instituto Caldeira ganha importância para a Erthal&Co. Não apenas como espaço físico, mas como ambiente de circulação. Estar próximo de empresas, startups, profissionais, eventos e tecnologias amplia nossa leitura sobre o mercado e permite conectar assuntos que normalmente aparecem separados.
O ambiente, sozinho, não faz o trabalho por ninguém. Mas melhora nossas referências, aumenta a exposição a novas possibilidades e reduz a chance de permanecermos acomodados nas mesmas ideias. Para uma liderança, talvez exista aí uma responsabilidade importante: não apenas cobrar evolução, mas também estimular que as pessoas circulem por lugares capazes de despertar essa evolução.
Olhando de forma transversal, Nova Zelândia, China, esporte e Caldeira falam sobre a mesma coisa. Quando mudamos de ambiente, não muda apenas o lugar. Muda a conversa, muda a régua e muda aquilo que passamos a acreditar que é possível construir.
A reflexão que fica é: será que estamos realmente buscando e aproveitando ambientes que nos provoquem desconfortos saudáveis?
Filipi Erthal
Filipi Erthal é fundador da Erthal&Co, desenvolvedora de negócios com base no Instituto Caldeira, em Porto Alegre. Por quase seis anos tocou um posto de combustíveis em Montenegro. Tem trajetória em varejo, indústria e negócios próprios, formação em Administração e pós em Neurociência e Comportamento. Hoje atua como parceiro estratégico de líderes que constroem no mundo real.